Foi estranho te ver ali de novo onde já estivemos tantas vezes juntos. Conheci o carro antes mesmo de virar completamente a esquina . Pensei em mil desculpas pra voltar, mas não deu tempo de dizer nenhuma.
Nos olhamos e logo as cabeças baixaram. Vergonha? Não sei... não, vergonha não, já que ali não havia nenhuma mentira, era apenas uma vontade incontrolável de não te mostrar e a sua de não querer ver. Que bom que haviam muitas pessoas e que a conversa continuou na sua mesa. Meu pensamento travou por alguns instantes, procurei não pensar, não sorrir, não existir talvez.
Hoje tenho sim um outro amor e você tem a vida livre que sempre quis, mesmo assim lá no fundo queremos manter segredo, mesmo que de mentirinha, mesmo que o mundo inteiro saiba, pelo menos enquanto em frente ao outro.
Escolhi rapidamente o lanche e pedi pra viagem, as mãos ocuparam com as sacolas nos impedindo de sairmos de mãos dadas, achei melhor assim. Não que me envergonhe meu novo amor, mas ainda acho que devo respeito a sua presença. Não sei se faria o mesmo por mim, receio que não ao mesmo tempo que receio que sim. Porque meu lado egoísta quer que você ainda me ame, mas meu lado que ainda te ama quer te ver completamente livre e feliz.


