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Um futuro diferente... (Ou seria uma visão?)

Você me veio como um sonho bom....
Hoje eu acordei e não tinha mais quinze anos. Estava deitada numa cama grande, num quarto friozinho de ar condicionado. E pensei "onde eu estou?", como foi que o tempo passou assim tão rápido? Do meu lado havia um lindo homem que estava acordando.. Ele sorriu, me abraçou e fechou os olhos novamente se aconchegando mais um pouco. Foi bom.
Olhei ao redor, tinham porta retratos por toda a parede, Paris, Jericoacoara, Cumbuco, Rio de Janeiro, Porto de Galinhas, Brasília.... Fotos de infância, minhas e daquele estranho. O azul do quarto me transmitia uma paz que parecia que ia durar eternamente enquanto eu pudesse permanecer naquele abraço.
O bipe do celular tocou, ele abriu os olhos novamente e me beijou sorrindo, levantou da cama e entrou em outro compartimento que parecia ser o banheiro... Tudo estava muito silencioso, a pouca luz que entrava no quarto tornava a cena ainda mais bonita, mas como eu tinha chegado alí?
Levantei na ponta dos pés e fui até a cozinha preparar um café, de maneira quase mecânica, quando de repente eu sinto aquelas mãozinhas pequenas abraçarem minha perna dizendo docemente "bom dia mamãe!"... Da área ouvi um latido rouco, era um cachorro velhinho, gordo e com uma carinha de cansado. Eu não tinha a mínima ideia de como a minha vida tinha chegado naquele ponto. Será que eu tinha viajado muito? Ou escrito livros maravilhosos? Mas sabe nada daquilo que eu lembra parecia fazer mais sentido do que a cena que eu estava vivendo naquela manhã confusa. Então, não importava mais o que tinha acontecido, como eu tinha chegado, apenas sentia que estava no lugar certo.

Texto de 2013. #Repost

Um sonho bom...

Hoje eu acordei e não tinha mais quinze anos. Estava deitada numa cama grande, num quarto friozinho de ar condicionado. E pensei "onde eu estou?", como foi que o tempo passou assim tão rápido? Do meu lado havia um lindo homem que estava acordando.. Ele sorriu, me abraçou e fechou os olhos novamente se aconchegando mais um pouco. Foi bom.
Olhei ao redor, tinham porta retratos por toda a parede, Paris, Jericoacoara, Cumbuco, Rio de Janeiro, Porto de Galinhas, Brasília.... Fotos de infância, minhas e daquele estranho. O azul do quarto me transmitia uma paz que parecia que ia durar eternamente enquanto eu pudesse permanecer naquele abraço.
O bipe do celular tocou, ele abriu os olhos novamente e me beijou sorrindo, levantou da cama e entrou em outro compartimento que parecia ser o banheiro... Tudo estava muito silencioso, a pouca luz que entrava no quarto tornava a cena ainda mais bonita, mas como eu tinha chegado alí?
Levantei na ponta dos pés e fui até a cozinha preparar um café, de maneira quase mecânica, quando de repente eu sinto aquelas mãozinhas pequenas abraçarem minha perna dizendo docemente "bom dia mamãe!"... Da área ouvi um latido rouco, era um cachorro velhinho, gordo e com uma carinha de cansado. Eu não tinha a mínima ideia de como a minha vida tinha chegado naquele ponto. Será que eu tinha viajado muito? Ou escrito livros maravilhosos? Mas sabe nada daquilo que eu lembra parecia fazer mais sentido do que a cena que eu estava vivendo naquela manhã confusa. Então, não importava mais o que tinha acontecido, como eu tinha chegado, apenas sentia que estava no lugar certo.


Tô indo pra capital! o/

Viajar me remete medo e vontade. Arrumei as malas ontem, uma na verdade, em meia hora, é que eu estava mais preocupada com meu cabelo, unhas e olheiras... Não quero que as pessoas pensem que sou desleixada e triste, mesmo que essa seja uma verdade.
Dessa vez vou chega de surpresa, sem alarde, um pouco sem vontade também, confesso. É tão diferente... quero mesmo só ficar em casa e respirar outro ar, sei que estranho, mais é isso.
Daqui a pouco verei um pouco do Brasil, lá do alto, pequeno e imparcial. Adoro viajar de avião, parece que até meus pensamentos vão mais alto e mais rápido, como se acompanhasse afrequência da aeronave.
Da janela do meu quarto verei a capital sem muros... a bela cidade projetada. E sei que pensarei inúmeras coisas a dizer a presidente, formarei discursos e pensarei nas músicas do Renato Russo e em como elas ainda se encaixam, mas só vou mesmo pensar.
Porque nessa viagem eu procuro colo, cura e dengo. Adormecer assistindo filme com a cabeça no colo da minha mãe, acordar de manhã com o cheirinho de cuscuz da minha vó e gargalhar com o sorriso da Laurinha. Só isso. Matar a saudade, na capital Brasília.

Sempre falta!



‘Mas não sou mais tão criança a ponto de saber tudo’
Renato Russo


Carta a Karine

Fortaleza 23 de dezembro de 2009

Ka,

Não to me sentindo muito bem esses dias. Se eu sumir do mapa não fica preocupada, só estarei realizando o meu sonho de fugir, de poder ser o que eu realmente sou. O que nem sei ainda definir, mas tenho mais fé a cada dia que estou bem próxima de descobrir!
Estou tentando fazer o melhor e entender quando as outras pessoas não conseguem. Mas ainda me falta algo! E não são amigos, pois sei que tenho os melhores! E não é família, pois mesmo com imaturidade e às vezes errando, sei que posso contar com meus pais sempre e com meus irmãos principalmente! E não é amor, pois já tive o mais puro que podia existir, o mais apaixonado, o mais compreensivo...
Então o que posso concluir é que na verdade meu problema está em mim. E talvez a resposta só eu possa encontrar! Sozinha e reclusa. E o melhor disso é que estar só não me assusta, o que me assusta de verdade é pensar que posso não estar por perto se um de vocês precisarem.
Quem vai confirmar suas teorias absurdas para o resto do mundo e só coerentes para nos e também quem vai dizer que você está exagerando? Quem vai topar as loucuras que a Joelma quer fazer do nada, quem vai tomar só “cinco cervejinhas com a Camila”, e quem vai dançar o ‘Proibição' com a Sara?
Quem vai tirar um zoom de cinco das histórias da Suyanne, quem vai dizer pra Luciana pra ela dar um pouquinho de freio na vida, e pra Vera que um dia, não tão longe, ela vai ter a Julinha com ela?
Quem vai dizer pro Avelino que a vida não é só farra? E quem vai ser a fã numero um do Eric? Quem vai ser a pessoa que faz o Régis lutar pelo simples fato de provar que sempre foi capaz?
Quem vai fazer cafuné no meu pai e o mandar tomar o remédio direitinho? Quem vai dizer pra minha mãe não beber e ao mesmo tempo rir com ela das besteiras que ela faz? Quem vai ser a neta preferida da vó Rita? E da vó Nereida também, fora a Chiarinha?
Eu não quero dizer com isso que sou insubstituível, ninguém é! Estou dizendo justamente o contrário. Que na verdade, o motivo que me impede de fugir desse lugar, é essa minha vontade de voltar no dia em que eu realmente souber o que eu sou e o que eu quero e talvez até já tenha realizado algumas coisas. E nesse dia da volta não terei nenhum direito de cobrar o meu espaço desse mundo que eu abandonei, ele certamente já terá sido preenchido! E uma vontade que eu nunca tive apesar do vazio imenso que é minha vida, talvez ronde a minha cabeça.
Se um dia eu, simplesmente desaparecer, diga a cada uma dessas pessoas que elas não foram abandonadas, nem pouco importantes pra mim. Na verdade foram Até hoje o único sentido da minha vida! Mas que é muito angustiante viver assim. Eu preciso disso!
E no dia que eu tiver forças ou for adulta o suficiente pra agüentar as barras eu o farei. Não quero que pareça que estou triste ou que farei isso amanhã! Apenas não me sinto plenamente feliz e sei que um dia farei, não quero que seja tão assustador!
 
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